segunda-feira, 8 de junho de 2015

A importância de um insight

No século XVI, Maquiavel escreve O Príncipe com base em insights apreendidos durante suas viagens como diplomata.

No século XX, Freud publica "Mal-estar na Civilização", com chutes sobre a relação entre cultura e indivíduo, e origina a psicanálise.

Hoje, cientistas fazem pesquisas e testes para entender o ser humano e a sociedade. Há metodologias desenvolvidas para assegurar que toda a descoberta seja aprovada pelo selo da Ciência. Há certificados acadêmicos para assegurar que os cientistas são pessoas capacitadas e que, portanto, suas descobertas são confiáveis. Linhas de pesquisa foram solidificadas para garantir que o pesquisador seja objetivo no seu trabalho.  

É um ambiente sem espaços para chutes. Nenhuma descoberta é feita num rompante de brilhantismo, mas sim após anos e anos testando exaustivamente fragmentos de hipóteses feitas por cientistas sérios, que por sua vez derivaram suas hipóteses do trabalho de outros cientistas sérios, que se inspiraram em outros cientistas sérios, que se inspiraram em outros cientistas sérios, que se inspiraram em palpiteiros como Maquiavel e Freud.

Que, como se sabe, não tinham obrigação de citar seus pares, nem de seguir linhas de pesquisa, nem de dar satisfação a ninguém. Eram inteligentes o bastante para ver o que ninguém tinha visto e sábios o bastante para não censurar os seus insights por falta de comprovação científica. 

E que por isso mesmo foram capazes de fazer o mundo caber numa casca de noz.

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